Mulheres na Escola Politecnica (1892 a 1934)

A emancipação da mulher e seu ingresso no mercado de trabalho sempre andou a passos lentos. Historicamente, ela tinha como seu dever principal cuidar da casa e dos filhos. Saber ler e escrever no início do século XIX era raro e as poucas que tinham acesso a educação formal eram de classes abastadas.


A mulher teve direito ao voto apenas em 1932, assegurado pelo Decreto 21076, no governo de Getúlio Vargas, sendo que este direito já era garantido aos homens desde 1532, ou seja 4 séculos antes.


Movimentos feministas são uma constante na história, demonstrando que há uma luta perene para que as mulheres tenham seus direitos garantidos. No século XIX o ingresso da mulher no mercado de trabalho era restrito a algumas profissões, geralmente voltados a cuidados e educação.


No caso da engenharia, ainda em pleno século XXI a profissão é predominantemente exercida por homens. No ano de 2017, por exemplo, houve uma manifestação das alunas do curso de engenharia civil com a gravação de um vídeo para o concurso IntegraPoli descrevendo o preconceito sofrido.


Imagine, no século XIX, uma mulher que quisesse exercer a profissão de engenheira. Essa mulher existiu e chamava-se, Eunice Peregrino Caldas, sendo aluna ouvinte em 1899. Sua atitude foi seguida por tantas outras, como Carmela Juliani (1918), Clotilde de Mattos (1924), Luiza La Terza (1927) e sua colega Regina Rocha Pirajá da Silva, Helena Koutousoff (1930) e Bertha Chnaiderman (1933), dentre outras.

Há neste site os documentos das primeiras alunas que se formaram na Escola Politécnica, sendo a pioneira, Anna Maria Frida Hoffmann, que concluiu seu curso de Engenharia Química em 1928 , sendo possível ver a documentação pessoal, seus pedidos de ingresso e notas. Seu esforço foi muito além de superar as dificuldades para terminar um curso de engenharia, ela foi a primeira mulher a ingressar no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), com o cargo de pesquisadora.

O acesso a esta documentação possibilita várias leituras, tais como sobre as dificuldades para freqüentar o curso, a relação entre os professores e dirigentes, as notas, tão boas quanto a de seus colegas do sexo masculino.