Histórias de Carreiras

Quadro dos formandos de 1909

Quadro dos formandos de 1909


No arquivo histórico da Escola Politécnica encontra-se um conjunto de documentos que se interligam compondo histórias, que vão desde sua fundação, em 1893 até 1934, quando a Escola se integra à Universidade de São Paulo.


É pergunta frequente saber para onde iam e o que faziam os alunos que se formavam neste período inicial da Escola. Eram poucos os formandos em cada turma, o que possibilitava acesso a bons empregos, principalmente porque o país estava em pleno desenvolvimento e necessitava de mão de obra qualificada.


A evolução das usinas, da indústria, a construção de hidrelétricas, as primeiras implantações de ferrovias, o desenvolvimento dos setores elétrico e portuário, todos tiveram a participação de profissionais formados pela Poli.


Até 1934, a Escola formava um conjunto amplo de profissionais: agrimensores, agrônomos, geógrafos, mecânicos, condutores de trabalho, contadores e maquinistas, arquitetos; engenheiros civis, industriais, mecânicos, eletricistas, químicos-eletricistas e químicos industriais. Muitos egressos ficavam na capital ou se mudavam para outras cidades do Estado de São Paulo. Outros voltavam para seus estados de origem, como Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro dentre outros. Ainda, alguns tinham como destino países do exterior, para se aprimorarem em suas profissões.


No Anuário de 1934, por exemplo, consta a relação de todos os diplomados desde a fundação da Poli e as instituições em que trabalhavam na época, mostrando a diversidade de carreiras que seguiam. Temos exemplos de formados que começaram a carreira acadêmica trabalhando em secretarias e bibliotecas para depois se tornarem professores, diretores e até reitores. Outros se tornaram engenheiros ajudantes (estagiários), chefes de departamentos, diretores, prefeitos e governadores. Também houve os que possuíam ou abriram suas próprias empresas e algumas delas permanecem até hoje. Selecionamos alguns exemplos da carreira de formados pela Poli no período.


ALEXANDRE ALBUQUERQUE


Em 1903, participou da fundação do Grêmio Politécnico sendo o primeiro a presidi-lo. Em 1905, graduou-se em Engenharia Civil, ganhando uma viagem à Itália. Entre 1907 e 1909, trabalhou no escritório de engenharia-arquitetura com Ramos de Azevedo, depois vindo a abrir seu próprio escritório, trabalhando em muitos projetos da cidade até a sua morte em 1940. Foi o primeiro ex-aluno a se tornar professor, também foi bibliotecário, secretário, conselheiro do IPT (1917-1937), tendo tido participação importante na revolução de 32, abrindo caminho para a política. Foi vereador paulistano entre 1926 a 1930 e 1934 a 1937, fundou a Associação dos Antigos Alunos em 1935, sendo o sétimo diretor da escola de 1937 a 1938.





JOÃO CARLOS FAIRBANKS


Engenheiro civil graduado em 1914. Trabalhou na Estrada de ferro Sorocabana de 1910 a 1911, na E.F. S São Paulo – Rio Grande, na Iinha de S. Francisco de 1911 a 1919, nos prolongamentos de E F Sorocabana– Salto Grande ao Rio Paraná, participou de colonização e medição de terras na antiga comarca Campos Novos, hoje municípios de Assis, Marília, Santo Anastácio, Presidente Prudente e Presidente Wenceslau, no fim de 1918 foi comissionado para Estrada de Ferro Paranapanema.


Estrada de ferro, bitola larga e estreitas, São Paulo


ARCHIMEDES PEREIRA GUIMARÃES


Engenheiro mecânico-eletricista graduado em 1917 – Atuou no setor químico - existia uma flexibilidade entre os cursos e os alunos podiam interagir entre os programas. Trabalhou como auxiliar químico nos Laboratórios da Deaborn Chemical Company de Chicago, foi professor de química industrial e agrícola na Escola Superior de Agricultura no Rio de Janeiro e catedrático de química tecnológica na Escola Politécnica da Bahia de 1923 a 1939, sendo diretor do Instituto de Tecnologia da Bahia de 1946 a 1961, entre outras. Também participou de associações e da Sociedade Brasileira de Química.





ALDO BARDELLA


Engenheiro civil graduado em 1929 – Foi trabalhar na firma de seu pai Antonio Bardella – Bardella Indústrias Mecânicas que iniciou em 1911 como Fundição Geral e Calderaria, depois Fundição Geral e Officina Mecanica Antonio Bardella & Filho. A empresa iniciou suas atividades de importação e manutenção de máquinas e, aos poucos, começou a produzir modelos próprios. Ainda hoje se faz presente dentre as importantes indústrias brasileiras.








Não só carreiras profissionais são parte da história da Escola Politécnica. Há diversos egressos que participaram na Revolução Constitucionalista de 32, pois a Escola teve um papel importante neste evento, tanto em tecnologia, como na produção de materiais bélicos e pela participação dos seus estudantes-soldados.


Alguns faleceram nesta luta: Augusto De Souza Barros , Mário Augusto Muniz de Aragão e Prudente Meirelles de Moraes. Constam também no anuário de 1934, os nomes de alunos que ainda estavam cursando a engenharia e faleceram e os que tiveram grande participação por ocasião da revolução.





Bibliografia
Quadro de formandos de 1909 – acervo do Arquivo histórico da EP
Anuário de 1934 - acervo do Arquivo Histórico da EP
Motoyama, Shozo, Escola Politécnica : 110 anos construindo o futuro -- São Paulo : EPUSP, 2004. 400 p.
Samara, Eni de Mesquita, Diretores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo : vidas dedicadas a uma instituição -- São Paulo : EPUSP, 2003. 215 p.
Santos, Maria Cecília Loschiavo dos, Escola Politécnica da Universidade de São Paulo: 1894-1984 / Maria Cecilia Loschiavo dos Santos -- São Paulo : Rusp, 1985. 668 p.